O FEITIÇO DAS PALAVRAS NA POESIA DE VANDA PAZ

Atualizado: 30 de ago.

Vanda Paz alterna a sua vida entre duas grandes paixões: a poesia e a produção vinícola.

by Jornal de Anadia

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Veio para a Bairrada em 1992, estagiar na Estação Vitivinícola da Bairrada, e desde então apaixonou-se pela região. Vanda Paz, como é conhecida no mundo da poesia, falou ao Jornal de Anadia sobre Poesia Enfeitiçada, o seu livro mais recente.

Vanda Paz alterna a sua vida entre duas grandes paixões: a poesia e a produção vinícola. No trânsito entre um e outro mundo opera-se uma ligeira mudança de nome, pois como sócia gerente e enóloga das Caves Castelar é mais conhecida como Vanda Helena Paiva.


A poeta, que esteve no dia 8 de maio no Museu da Bairrada a apresentar Poesia Enfeitiçada (Edições Vieira da Silva), deu uma entrevista por escrito ao Jornal de Anadia em que falou sobre o seu processo criativo e as razões porque ao fim de tantos anos continua a necessitar de escrever para, nas suas próprias palavras, exprimir «o que sinto, o que vejo e o que me emociona».

Nos próximos meses devem existir novidades da autora: entre os projetos que tem em mãos, há um livro de poesia já no prelo e um anuário de vinhos que deverá ser publicado ainda este ano.

JA – Poesia Enfeitiçada foi publicado em 2021; Dedos Acesos, o livro anterior, em 2011. Porquê tanto tempo para publicar de novo?

VP – Foram 10 anos de uma vida profissional muito intensa mas também foram 10 anos que dediquei à escrita. Tendo já mais um livro de poesia para editar ainda este ano.

JA – O que a motivou a escrever um livro para crianças?

VP – Os meus filhos. Este livro foi praticamente todo escrito enquanto eles eram mais pequenos. Em 2020 apresentei os meus poemas às Edições Vieira da Silva e à Beatriz Blodau e ambos abraçaram o projeto de uma forma fantástica , sendo o resultado o livro Poesia Enfeitiçada.

JA – Fale-nos um pouco de Poesia Enfeitiçada… que história(s) é que nos conta?

VP – O livro Poesia Enfeitiçada conta a história de uma bruxa e seus 4 amigos que vivem numa floresta encantada. A história desenrola-se entre feitiços e travessuras de rir à gargalhada.

JA – Como é o seu método de escrita? (tem algum horário, escreve quando lhe apetece, escreve ao computador, à mão?)

VP – Normalmente escrevo à mão e quando me apetece. Não tenho um horário específico, mas normalmente estou mais inspirada e focada de manhã., mas isso é tanto para a escrita como para o meu trabalho.

JA – Quais são as suas referências literárias?

VP – Gosto de ler de tudo um pouco mas trago sempre comigo Fernando Pessoa, Eugénio de Almeida e Florbela Espanca.

JA – Diz que começou a escrever os primeiros poemas em Belém, aos 14 anos. Desde esse período, como tem evoluído a importância da poesia na sua vida? Olha hoje para a poesia da mesma forma que na sua juventude?

VP – Sempre fui muito sensível a tudo o que me rodeia e escrevo o que sinto, o que vejo e o que me emociona.


JA – Ao nível da escrita, que planos tem para o futuro? VP – Como disse, espero editar um livro de poesia ainda este ano que já está terminado. De momento estou a escrever e a elaborar um anuário de vinhos que espero também que saia este ano. JA – A sua poesia está repleta de referências ao vinho, à terra e à agricultura. Alguns exemplos de versos que estão publicados no seu blog: «Enterrei quatro letras na terra e reguei com chuva» ou «Incompreensível é a voz/ Que vive no fundo de mim/ Vinho derramado e quente». Qual a relação destes dois mundos: a enologia e a poesia? VP – A relação é porque sou Enóloga há 30 anos e estas são as minhas duas paixões: a enologia e a poesia JA – Podemos dizer que ‘Escrever um bom poema é como produzir um bom vinho’? VP – E que cada vinho é um poema.. JA – Qual a sua ligação com a Bairrada e, em particular, com Anadia? Estou na Bairrada desde 1992, vim estagiar na Estação Vitivinícola da Bairrada, fiquei a trabalhar na Adega Cooperativa de Cantanhede, casei e vivi em Avelãs de Cima durante 20 anos e ainda hoje venho às Caves Castelar, em Avelãs de Caminho, empresa que é minha e do meu pai. A minha relação com o grupo InCantus [projeto de tocares e cantares que animou a apresentação do livro, realizada no Museu do Vinho Bairrada, a 8 de maio] vem daí, por ser uma poetisa de Avelãs de Cima. Miguel Marques Ribeiro

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