A doer

Atualizado: 18 de jun. de 2021

E enquanto o mar rugia em ganas desesperadas as ondas rebentavam em sangue vivo manchando as gaivotas, já mortas, que ainda pairavam na réstia de sol, que teimava em rasgar o céu. Tinha chegado a hora. Os olhos esbugalhados saltavam das órbitas e afogavam-se, vezes e vezes sem fim, em lágrimas silenciosas. O corpo, vestido de algas, orava um poema morto com um nó na garganta que lhe tirava a voz. Afinal, houve um tempo perdido de pés descalços que roubou a vida aos sonhos que nos unia. O caminho é agora um novelo emaranhado sem pontas. Um horizonte carregado de anzois à pesca do melhor momento. Revela-se assim a loucura com o olhar martelado no infinito… a doer.



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